Os desfiles das escolas de samba em Florianópolis: 79 anos de tradição – parte 1

Até o ano de 1946, o panorama carnavalesco na Capital resumia-se aos blocos, clubes sociais, mascarados, batalhas de confetes, lança-perfume, banhos de mar a fantasias e os préstitos das grandes sociedades com os carros alegóricos e de mutação. Nesse período, as escolas de samba cariocas já estavam consolidadas como expressão da grande festa popular, iniciada pela “Deixa Falar”, a primeira escola de samba fundada em 1928, no Estácio. 

Desfile do carnaval de Florianópolis na Av. Paulo Fontes
Desfile do carnaval de Florianópolis na Av. Paulo Fontes – Foto: Acervo Casa da Memória/ Divulgação

Dezenove anos foi o tempo que levou para criarmos a versão manezinha da “Deixa Falar”, e em 1947, os jornais registram o desfile da Escola de Samba Narciso e Dião, que saiu pelas ruas com integrantes masculinos, entre os quais, Waldir Brasil e Ocir Campos tocando surdo e na condução do porta-estandarte o jovem “Zininho”, acompanhado de Abelardo Blamberg, o  “AvezVous”, e que vão plantar a semente de uma escola de samba, inexistente na Capital. Em 1948, a escola volta às ruas com 40 integrantes, com Hercílio de Lima no porta-estandarte. Ainda nesse ano, outras escolas saíram batucando pelas ruas centrais: a Primeira Escola de Samba da Praia de Fora, Moacyr e sua Escola de Samba, Unidos do Chapecó, Filhos de Netuno e um “bloco” denominado Os Protegidos da Princesa.

Ao microfone Narciso Lima . Foto: Acervo pessoal Neno Brazil.
Ao microfone Narciso Lima. Foto: Acervo pessoal Neno Brazil

No Carnaval de 1949, os tamborins e surdos esquentaram pra valer, com as escolas Os Protegidos da Princesa e Dião desfilando com direito a disputa por taças. Os Protegidos ganharam o troféu ofertado pela loja O Paraíso, enquanto que a Dião levou a taça oferecida pela empresa Kola Marte, destacando-se a “pequena sambista Dulcinéia Veloso, filha do sr. Agapito Veloso, que teve uma atuação notável”.É preciso ressaltar que a historiografia carnavalesca convencionou afirmar que Os Protegidos da Princesa fundada em 18/10/1948, como sendo a primeira escola constituída. Pesquisa recente revelou que um agrupamento denominado de “Protegidos da Princesa” fez uma apresentação no Carnaval de 1948.  O desfile de 1948 ou de 1949, não a credencia em ser a pioneira agremiação do samba, porém, é valido afirmar que é a mais antiga escola em atividade da Grande Florianópolis.

Entre os anos de 1947 a 1956, desfilaram pelas ruas da Capital os agrupamentos denominados de escolas de samba pela crônica jornalística: Narciso e Dião (1947 a 1949), Moacyr e e Sua Escola de Samba (1948), Primeira Escola de Samba da Praia de Fora (1948), Os Protegidos da Princesa (1948 a 1951, 1955/1956), Unidos do Chapecó (1949,1950,1951,1956), Filhos de Netuno (1951,1952,1955), Escola Alvim Barbosa (1955-1956), Unidos de Florianópolis (1955) e Embaixada Copa Lord (1955-1956-). No período de 1958 a 1986 são fundadas Os Filhos do Continente (19581996), Unidos da Coloninha (1962-1965,1983),Império do Samba (1971-1989), Lufa-Lufa Acadêmicos do Samba (1971-1991),Quilombo dos Palmares (1985-1994), Nação Quilombo (19851993) e a Consulado (1986-) – escola originada do Bloco Carnavalesco Consulado do Samba. 

Dião em registro histórico do carnaval de Florianópolis
Dião em registro histórico – Foto: Foto de Sergio Moreira/O Estado

No período que engloba o Século XX (1947-2000), um total de 16 escolas de samba desfilaram pelos palcos sagrados do samba localizados na Felipe Schmidt/Praça XV (1947-1975), Passarela da Paulo Fontes (1976-1987) e por último, a Passarela do Samba Nego Quirido, inaugurada em 1989. A partir do Carnaval de 1997, as apresentações contaram com apenas 4 escolas: Os Protegidos da Princesa, Embaixada Copa Lord, Unidos da Coloninha e Consulado, e que vão fechar o ciclo de participações no Século XX. A partir do Século XXI, outras agremiações farão parte do Grupo Especial, incluindo escolas situadas nos municípios de Palhoça, São José e Biguaçu, e que serão abordadas na próxima edição da coluna Memorial.

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