Acadêmicos da Ilha: a escola que ficou no papel

É isso mesmo que você leu, caro leitor, uma nova escola nascia no dia 23 de março de 1962 – aniversário da cidade, quando um seleto e respeitado grupo de sambistas e dirigentes ligados a tradicional Protegidos da Princesa, resolveram fundar a Sociedade Recreativa Cultural e Samba Acadêmico da Ilha. Presentes na reunião, personalidades de peso e representatividade carnavalesca como Sílvio Serafim da Luz – fundador da Protegidos, Hélio Norberto da Silva, João Sebastião da Silva, Zanzibar Lima, Hélio Silva, Mário Norberto da Silva e Sinova Silva – a bela Miss Florianópolis de 1962. 

Acadêmicos da Ilha
Escola de Samba Acadêmicos da Ilha ficou na memória. Foto: Jornal O Colored/Fev 1963

Nos objetivos previstos no estatuto social constavam a promoção e a participação no desfile de escolas de samba, sendo o azul, vermelho e verde as cores do pavilhão. Foram eleitos para a diretoria, João Sebastião da Silva – “Dião”, na presidência, Zanzibar Lima (secretário) e Moracy Gomes da Silva na tesouraria. “Dião” é personagem importante na história do samba, fundador da primeira escola a “Narciso e Dião”. Zanzibar, destacado músico e filho do renomado músico Narciso Lima, parceiro de Dião em sua escola de samba, e por último, Moracy Gomes, nome histórico da Protegidos e que dispensa apresentação. 

Mas, será que a nova escola foi uma dissidência na Protegidos em decorrência da perda do título de 1962 para a Copa Lord? Por sorte, a tentativa de dar vida a Acadêmicos “morreu na casca”, não participando dos desfiles nos Carnavais seguintes, e o título de 1963 retomado pela Protegidos. Passados oito anos, eis que em 1970, a Acadêmicos da Ilha voltou a ser notícia pelo colunista Marcílio de Medeiros Filho em O Estado, informando que “Avez-vous” – deu início à organização da Escola de Samba Acadêmicos da Ilha, que pretende botar pra quebrar em fevereiro de 71, e que existe ainda uma outra escola em formação, cujo nome seus fundadores pretendem conservar em segredo”. 

O próprio Avez-vous comentou em seu livro sobre a história da Copa Lord, que no período de 1971 a 1976 se afastou dos quadros da escola, e buscou “exílio” nos Filhos do Continente, porém, não relatou o “desejo” de constituir uma outra escola, apesar das relações com a Copa estarem um “pouco estremecidas”. Sabemos que em agosto de 1971, a Império do Samba é fundada no Estreito, após dissidência com membros da Filhos do Continente. 

Pelo visto a turma da Protegidos resolveu agir, e capitaneados pelos irmãos Ênio, Hélio e Mário, Ernâni Rosa, Nilo Padilha, Luizinho Santana, retomam a Acadêmicos da Ilha, organizando eventos em prol da Protegidos, entre os quais o concurso “A Mais Bela Mulata de SC”, realizados de 1971 a 1974, e que contou com a participação de passistas da Mangueira, Império Serrano e Vilma da Portela. Em conversa recente com Ernâni Rosa, ele confirmou-se que na época da fundação da Acadêmicos, “haviam “rusgas” com a diretoria da Protegidos, mas que foram amenizadas, e pelo fato que a nova escola não tinha componentes, só caciques. 

Ao final, acabaram aproveitando o registro da entidade para dar suporte a Protegidos, inclusive para receber auxílios”. E assim, encerrou-se ciclo da Acadêmicos da Ilha: a escola que virou promotora de eventos e braço da “dissidente”.

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