O carnaval de Floripa precisa de novas vozes

Salve, amigos leitores! Hoje temos cinco das 10 escolas de samba de Florianópolis com intérpretes de fora do Estado e esse movimento tem sido comum nos últimos anos. A lista: Os Protegidos da Princesa, com Lu Astral; Acadêmicos do Sul da Ilha, com Viny Machado; Dascuia, com Leonardo Bessa; Unidos da Coloninha, com Tiganá; e agora Jardim das Palmeiras, com Gabriel Pereira, que inclusive é irmão de Viny Machado.

Isso não é um problema, longe disso, mas é o reflexo de uma região que forma pouquíssimos intérpretes e acaba tendo como alternativa buscar alguém de outra praça.

Na minha opinião, o grande causador desse problema é a falta de uma “escola de intérpretes” que crie uma base para que novos nomes surjam e também ajude a aprimorar quem já é intérprete.

Afinal, ser cantor de outro ritmo, ou até mesmo de samba, é algo totalmente diferente de ser intérprete de escola de samba. É uma função que exige uma preparação robusta. Cantar ininterruptamente por mais de uma hora a mesma “música”, na maioria das vezes em um tom mais alto do que se costuma cantar em um samba, fazer cacos, não deixar o samba cair e ainda ser avaliado do começo ao fim pelo desempenho são desafios que cantar em um bar ou fazer um show não traz. Sem contar o desgaste físico de cantar e caminhar ao mesmo tempo durante todo o desfile, o que exige ainda mais preparo e resistência.

Estou aberto para discussões sobre se esse tipo de iniciativa, que deveria partir das escolas individualmente, da união entre elas ou até da busca por alguém que pudesse manter um projeto nesse sentido.

Acredito que isso oxigenaria o universo do samba. Sei que há custos envolvidos e que exige responsabilidade com horários e datas a serem cumpridos. Já temos algumas escolas de mestre-sala e porta-bandeira, passistas, bateria, cavaco…

Por que não uma escola de intérpretes?

Florianópolis precisa e merece de novas vozes.

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