Cidadãs-Samba no carnaval de Florianópolis: 63 anos de tradição, elegância, charme e simpatia

O Concurso Cidadã-Samba do Carnaval de Florianópolis, instituído a partir do ano de 1963, nasceu com o principal objetivo de premiar as passistas das escolas de samba que demonstrassem habilidade e competência com o samba nos pés, conjugando estilo e empatia. A genial iniciativa partiu do radialista e publicitário Antunes Severo, diretor proprietário da agência de publicidade AS Propague, e mais tarde contou com o apoio de Roberto Costa.

Cidadãs-samba na história do carnaval de Florianópolis
Em pé, da esq. para dir.: Jaqueline Aranha (1999-2005), Patrícia Areias (1988-1990), Maristela Figueiredo (1976-1979) e Nega Tide (1965-1970); sentadas: Ivonete Soares (1963-1964) e Jutiara Vieira (1982-1984) – Foto: Divulgação/ND

Foi uma premiação inédita e diferente da existente no Carnaval carioca iniciada em 1936, premiando pessoas ligadas às diversas áreas do samba, concedendo o título de Cidadão-Samba. A supremacia masculina foi quebrada por Tia Surica em 2014 e Vilma Nascimento em 2015, ambas vinculadas a tradicional Portela.

Pelo lado ilhéu, a disputa pelo título/faixa projetava as sambistas e as escolas que representavam, o que deixava a disputa ainda mais acirrada, motivando paixões e o envolvimento das comunidades vinculadas às escolas. Ivonete Batista Soares, a querida “Lelera”, abocanhou o título no primeiro ano de disputa, em 1964 obteve o bicampeonato pela Protegidos.

Em 1965 surgiu o fenômeno e futura musa do Carnaval Erotildes Helena da Silva, carinhosamente chamada de “Tide”, sambista de primeira linha e estilo único, que incendiou a disputa e não deu vez às demais concorrentes, conquistando seis títulos: 1965, 1966, 1967 e 1969 pela Protegidos da Princesa, 1968 pela Filhos do Continente, e 1970 pela Copa Lord. O sétimo título foi interrompido em 1971 pela passista de 8 anos, Nádia Maria dos Santos, representante da Filhos do Continente, tornando-se a mais jovem Cidadã samba da história do Carnaval.

Nega Tide cidadã-samba Florianópolis
Erotildes Helena da Silva, a Nega Tide – Foto: Jornal O Estado

Em 1972 e 1973, Carmem Machado representando a Império do Samba levou o título mais uma vez para a  região do Continente. Em 1974 e 1975 foi a vez de Alicinha e Nilzete Costa, representantes da Copa Lord retornarem o título para a comunidade do Monte Serrat. Nos anos de 1976 a 1979, triunfou o talento de Maristela Figueiredo da Protegidos da Princesa, eleita a 1ª cidadã samba da Passarela da Paulo Fontes. Em 1980 e 1981, mais uma vez a comunidade do Morro do Mocotó festejou o título pela jovem e vibrante Talita.

Cidadã-samba Maristela Figueiredo
Cidadã-samba Maristela Figueiredo – Foto: UFSC

A talentosa sambista Jutiara, da Copa Lord, reinou absoluta de 1982 a 1984, enquanto que nos anos de 1985 e 1986 foram as representantes das escolas do Continente que levaram a faixa: Jandira Constante, da Filhos do Continente, e Maria Augusta Soeiro, da Acadêmicos do Samba, enquanto que em 1987 o título ficou com a representante da praia da Guarda do Embaú, Simone Albanaz.

Cidadã-samba Jutiara
Cidadã-samba Jutiara – Foto: Jornal O Estado

Em 1988, mesmo não acontecendo o desfile de escolas de samba, a jovem Patricia Areias foi eleita pela primeira vez representando o Bloco do Duduco, conquistando o bi em 1989 pela Quilombo do Cacae e o tricampeonato em 1990 com a Consulado. A escola do Caeira repetiu o triunfo em 1991 com Lúcia Bregeron. Cristiane Ferreira, da Copa Lord, quebrou a sequência de vitórias da Consulado em 1992, porém, o título foi retomado em 1993 por Fárida Bellantório. Em 1994 não foram realizados os desfiles, interrompendo uma tradição de 30 anos.

Em 1995, Alexsandra Ferreira, da Leka, da Protegidos, conquistou o título pela escola. Já em 1996 foi a Cris (estamos em busca do sobrenome), da Coloninha. Nos anos de 1997 e 1998 mais uma vez a Capital ficou sem desfile de escolas e sem cidadã-samba.

Alexsandra Ferreira, a Leka, eleita cidadã-samba em 1995 pela Protegidos
Alexsandra Ferreira, a Leka, eleita cidadã-samba em 1995 pela Protegidos – Foto: Arquivo Pessoal

Representando a Copa Lord, Jaqueline Aranha conquistou sete títulos consecutivos no período de 1999 a 2005, tornando-se a maior vencedora do concurso e eternizando o seu nome no Carnaval. Em 2006, Alexandra de Lima ganhou o primeiro título da Unidos da Coloninha no certame, e em 2007 quem levou foi Gianne da Rosa, da Copa Lord. Gilane da Costa Mattos, da Protegidos, e Camila Lalau, da Consulado, foram as vitoriosas em 2008 e 2009, respectivamente, e no ano seguinte Lissah Costa, da Coloninha, fechou o ciclo de vitórias na primeira década do Século XXI.

Nádia Maria dos Santos, da Filhos do Continente, cidadã aos 8 ano
Nádia Maria dos Santos, da Filhos do Continente, cidadã aos 8 anos – Foto: Jornal O Estado

Após 2010

As Copalordenses Gianne Abott, em 2011, e Michele Crispim, em 2012 e 2014, foram as vencedoras do concurso, enquanto que na edição de 2015 a faixa foi para Juliana Vieira, da Protegidos da Princesa. Mais uma vez a representante da Embaixada Copa Lord venceu: Juliana Joy em 2016. Em 2017 e 2018, foi a vez da Coloninha representada por Lidiane da Costa Mattos. Juliana Joy retomou a faixa em 2019 e, no ano seguinte, Lidiane da Costa Matos vibrou com a terceira conquista. A pandemia da Covid interrompeu as edições de 2021 e 2022, sendo retomado em 2023 com a vitória de Tália Amorim e Crislaine de Jesus, em 2024, ambas da Coloninha. Lays Matias, da Copa Lord, venceu em 2025 e em 2026 foi a vez da representante da Consulado, Ana Luíza Tavares, obter a tão desejada faixa de cidadã samba.

Em 58 edições em que a faixa de cidadã-samba entrou em disputa, destacam-se Jaqueline Aranha (7 títulos), Tide (6 títulos), Maristela Figueiredo (4 títulos), Jutiara e Lidiane da Costa Mattos (3 vezes). Já em relação ao número de conquistas por representação carnavalesca, temos o seguinte ranking: Copa Lord (21), Protegidos (16), Coloninha (8), Consulado (5), Império do Samba e Filhos do Continente (2), Lufa-Lufa-Acadêmicos do Samba, Quilombo, Bloco do Duduco e Praia da Guarda (1).

Essas potentes mulheres contribuíram para o engrandecimento e a projeção do Carnaval, marcando época e estimulando às novas gerações e, com muito samba no pé, tornam-se referências respeitadas em suas agremiações e nas comunidades. Na próxima coluna, caro leitor, vou retratar a história dos Cidadãos-Samba, outra manifestação do nosso Carnaval.

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