A escolha do novo intérprete

Após a saída de Renan Ludwig do microfone principal da Unidos da Coloninha, a agremiação do Continente anunciou a chegada de um velho conhecido do Carnaval de Florianópolis: Alessandro Tiganá.

Com passagens por escolas como Embaixada Copa Lord e Nação Guarani, Tiganá esteve, mais recentemente, no comando do carro de som do Império Vermelho e Branco, escola do Pantanal. Ele também foi intérprete oficial da Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, mas encerrou a parceria com a escola neste ano. Em São Paulo, segue cantando pela Nenê de Vila Matilde.

Tiganá cantando no carnaval
Tiganá irá cantar na Coloninha em 2027 – Foto: @th2city

Tenho preferência por Ludwig, que fez dois grandes carnavais à frente do microfone principal da Unidos da Coloninha e faz excelentes apresentações na Estado Maior da Restinga no RS. É um intérprete que não deveria ficar fora do nosso circuito de cantores.

Em conversa com ele durante o Carnaval de Alvorada, no Rio Grande do Sul, Renan me disse que se apaixonou pelo carnaval manezinho e que deve comparecer em 2027 à Passarela Nego Quirido, nem que seja apenas para assistir aos desfiles caso não seja contratado por alguma escola até lá.

Ainda assim, Tiganá chega com bagagem à Unidos da Coloninha e tem tudo para fazer um grande trabalho. Com um grito de guerra mais do que popular no nosso carnaval, ele traz como característica os cacos que fazem o samba enredo “andar” e não deixam cair. Tem boa extensão vocal e conhecimento de sobra do Carnaval de Floripa.

Ainda sobre intérpretes

Algo que com certeza vai virar recorrente na Coluna Dispersão são as dicas de intérpretes para o Carnaval de Florianópolis. É uma parte do espetáculo carnavalesco à qual eu sempre fico muito atento e gosto de acompanhar pelo Brasil inteiro.

Hoje, falo sobre um intérprete muito conhecido no Carnaval de Porto Alegre, quase uma entidade dentro daquele contexto: Sandro Ferraz. Ele atualmente é intérprete da União da Tinga, escola que acabou de subir para o Grupo de Ouro da competição gaúcha, mas já é uma voz experiente do Porto Seco.

Sandro Ferraz da União da Tinga – Foto: giovanniphotografia/Divulgação

Ferraz tem um timbre diferente do usual, daqueles que marcam quem ouve. Tem a afinação como principal carta na manga nas apresentações e é um intérprete técnico, no melhor sentido da palavra. Está sempre atento ao seu grupo musical, ao andamento da bateria e comanda tudo do palco ou do carro de som.

Sandro, inclusive, se apresentou neste ano no aniversário de Porto Alegre, cantando samba ao lado da Banda Municipal da cidade. Ele também já teve participações no Carnaval de Floripa. Gravou o samba concorrente da União da Ilha da Magia em 2024 e foi campeão. Gravou novamente em 2025, mas acabou não vencendo. Ao vivo, não esteve nas disputas.

Deixo aqui três sugestões de Sandro Ferraz para ouvir e apreciar: União da Tinga 2026, Bambas da Orgia 2020 e Imperadores do Samba 2022.

Cadê?

Oito das dez escolas de samba de Florianópolis já divulgaram seus enredos. Algumas, inclusive, já apresentaram até a sinopse. Embaixada Copa Lord e Dascuia, porém, ainda não anunciaram oficialmente as histórias que levarão para a passarela em 2027.

Na Dascuia, o cenário chama atenção. Depois da saída do carnavalesco Tadeu Stangherlin, que já foi anunciado pela Unidos da Coloninha, a escola ainda não revelou quem vai cuidar da parte artística no próximo carnaval.

Se mantiver o caminho dos últimos anos, a Dascuia deve buscar alguém de fora para fazer esse trabalho. Na minha opinião, esse não é o melhor caminho. Não precisa, necessariamente, ser um carnavalesco da cidade. Mas precisa ser alguém presente no dia a dia da escola, alguém que entenda a realidade da agremiação e consiga construir uma linha de trabalho, não apenas entregar um carnaval isolado.

Continuidade faz diferença. Muitos carnavalescos, no primeiro ano, ainda não conseguem mostrar tudo o que podem justamente porque essa é uma função que depende, e muito, das pessoas. Sem conhecer os trabalhadores, o ritmo de produção e a qualidade de cada setor, o planejamento fica mais difícil e a entrega também. Carnaval não é fábrica.

Já a Embaixada Copa Lord renovou há pouco com o carnavalesco Willian Tadeu, mas ainda não oficializou seu enredo. O tema já está escolhido e será divulgado no dia 7 de junho em evento na quadra.

Durante a celebração dos três anos do Grupo Samba Enredo, apostei em uma reedição do enredo de 1982 da agremiação, “O último Carijó da Ilha Encantada”. Mas, com Willian Tadeu, quem tem como uma de suas características a imprevisibilidade, é difícil conjecturar qual história será contada na Nego Quirido em 2027.

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