Em vida

Voltamos ao propósito da coluna, falar de pessoas, de personagens. E um encontro atípico no último final de semana motivou essa nova coluna.

No Carnaval, existe uma praxe que é homenagear pessoas como enredo. Na maioria das vezes, depois da morte. Já tivemos na Nego Quirido nomes como Aldírio Simões, Uda Gonzaga, Zininho, Hassis, Victor Meirelles, Nega Tide, Ayrton Senna, Cruz e Sousa, Celso Pamplona, Anita Garibaldi, Dascuia, Willy Zumblick, Antonieta de Barros, entre outros personagens da cenário local e nacional. Mas de uns tempos pra cá, a prática mudou e as escolas de samba vem procurando retratar as pessoas em vida.

Solange Adão e Luciano Martins são enredos para 2027
Solange Adão e Luciano Martins são enredos para 2027 – Foto: Vandrei Bion

É o que vai acontecer em 2027 em pelo menos duas das 10 agremiações do Carnaval de Florianópolis. Em Os Protegidos da Princesa, o enredo “A Filha do Vento – A Força Negra de Solange Adão” é a mais singela homenagem a uma mulher forte, firme, multiartista e sobretudo uma professora responsável por educar grande parte das gerações do Morro do Mocotó. Uma mulher negra, de energia surreal, simpatia e coração gigante. Um casamento especial entre ela e a comunidade é o que veremos na avenida.

Na Lagoa da Conceição, a União da Ilha da Magia, sob o comando de novo do arrojado presidente Joel Costa Júnior, escolheu o artista Luciano Martins para homenagear no desfile de 2027. O tema “Luciano Martins – O Poeta das Cores da Ilusão” vai reverenciar um gaúcho publicitário que escolheu Floripa para trabalhar, viver e descobrir uma nova faceta da sua vida, a arte, o colorido e as expressões. Por ter se radicado na Lagoa, tudo ficou muito fácil para escrever a sua história e carnavalizar o projeto de desfile.

E não é que esses dois personagens/enredos (foto) se encontraram no último sábado? Pois bem. Em vida, tudo é melhor. Tudo é mais bonito e emocionante. No lançamento dos dois enredos, vimos com os nossos olhos lágrimas e uma enxurrada de emoção. Solange e Luciano representam a nossa cidade que está cada vez mais cosmopolita. São dois personagens com destaque nas suas áreas de atuação e de ligação com as suas escolas de samba. Cada um do seu jeito.

E o que isso significa? Que o carnaval não tem fronteiras. Não tem limite para a criação, para a inovação, para a ousadia. O mais importante é fazer acontecer em vida, em meio a choros, risos e alegria. Em vida, tudo é mais bonito. Porque ver o homenageado feliz não tem preço.

Ah, sem deixar passar em branco! Em 2026, Valdeonira dos Anjos, aos 90 anos, escreveu uma capítulo lindo da história do Carnaval ao ser exaltada pela Dascuia, escola de samba que ela ajudou a fundar e fazer crescer.

E a memória da cidade agradece por tudo que vimos na Praça XV e na Passarela.

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