É preciso destacar o movimento da Viradouro de valorizar pratas da casa em cargos de destaque. Em 2025, a escola teve como rainha de bateria a atriz Erika Januza e Juliana Paes em 2026, retornando após muitos anos. Para 2027a agremiação de Niterói optou por abrir espaço para uma cria da comunidade: Bellinha Delfim.
Sambista de primeira, Bellinha estava como musa da escola há seis anos e tem uma relação muito próxima com a comunidade, que a apoiou bastante para que ela conquistasse o posto de nova rainha de bateria da Unidos do Viradouro.

Apesar de eu ter uma opinião um pouco incomum no carnaval em relação aos cargos de destaque, comemoro quando alguém com história dentro da escola recebe a confiança para ocupar uma posição tão privilegiada.
Ainda acho válido comercializar esses espaços, mesmo que muita gente critique. É um valor importante para a escola e, como não se trata de um quesito, não existe a obrigação de colocar alguém que “tecnicamente” atenda as exigências dos jurados.
Claro que, independentemente do cargo ter sido comprado ou não, quem ocupa esse espaço deve respeitar a posição que recebeu. Cabe também a essa pessoa se aproximar o máximo possível da cultura carnavalesca e da comunidade que faz a escola acontecer. Esse valor pode fazer menos diferença do que em praças menores, mas ainda assim considero válido principalmente porque os ganhos publicitários são enormes.
O maior exemplo é, obviamente, o da influenciadora Virginia Fonseca na Grande Rio. A escola de Caxias, apesar das várias críticas que recebeu, nunca foi tão falada nacionalmente. E isso, até aqui, não atrapalhou em nada no desempenho da agremiação. Pelo contrário, na minha visão, ajuda a escola a ter cada vez mais recursos para se destacar na Marquês de Sapucaí.
Carnaval não é somente dinheiro, mas também é.
NÃO FOI LEGAL
Durante a festa de aniversário de 80 anos da Unidos do Viradouro, a Portela fez uma apresentação que também serviu para a estreia de Bruno Ribas, intérprete consagrado anunciado há pouco mais de dois meses pela escola da Zona Norte do Rio de Janeiro.
A festa estava linda, mas a apresentação da Portela não foi das melhores. Na hora de cantar o samba-enredo de 2026 da escola, que no desfile esteve sob a batuta de Zé Paulo Sierra, Bruno Ribas destoou.
Ribas estava em um tom, o grupo musical em outro, e a bateria parecia acelerada em relação ao conjunto de vozes. Em alguns momentos, inclusive, deu a impressão de que Bruno esqueceu ou não sabia alguns trechos do samba. O estranhamento era visível, tanto no grupo de apoio quanto na reação da plateia. É um intérprete que eu gosto e que me traz boas lembranças, principalmente pela passagem na Unidos da Tijuca, escola pela qual eu torço, no Rio de Janeiro.
Pode ter sido apenas um dia ruim, claro. Mas também pode ser um sinal do que a parte musical da Portela poderá enfrentar em 2027. E a escola, que vem de anos muito difíceis, não tem tanta margem para erro.








