Nas últimas edições da Coluna Dispersão, destaquei intérpretes de outras praças, mas não dá para deixar de olhar para dentro e valorizar quem temos por aqui.
Preciso falar de uma voz da qual sou fã há muito tempo. Quem acompanha os podcasts do Grupo Samba Enredo já deve ter percebido isso. Estou falando de Anderson Clayton da Costa, o São, atualmente integrante do carro de som da Os Protegidos da Princesa.

Na minha opinião, São tem qualidade de sobra para assumir o microfone principal de diversas escolas de samba de Florianópolis. É um tipo de intérprete raro no nosso carnaval. Tem um timbre muito agradável, boa extensão vocal e, diferente de muitos, não evita as notas mais altas dos sambas, pelo contrário, parece até procurá-las.
Quando penso em exemplos disso, me vêm à cabeça os sambas da Dascuia de 2023, 2024 e 2025. Todos ganharam muito com sua interpretação, o de 2025, sobre Zacimba Gaba, especialmente. Ouvi várias vezes o esquenta e a entrada do samba daquele ano justamente porque ele conseguiu potencializar a obra com a sua interpretação.
A Protegidos, que já possui um carro de som de alto nível, ganha ainda mais com a presença do São. Confesso que, antes da renovação de Lu Astral, imaginei que ele pudesse assumir o posto de voz oficial da escola. Também não me surpreenderia vê-lo liderando o carro de som de qualquer outra agremiação.
São é uma realidade que ainda não recebeu a consolidação que merece.








