É, foi bom o Conasamba 2026

O Grupo Samba Enredo marcou presença em peso no Conasamba 2026. Fazendo um balanço do evento, o principal destaque segue sendo o networking. É ali que acontecem as conversas mais importantes, os contatos e as trocas de experiências. As mesas acabam ficando em segundo plano.

Conasamba 2026
Congresso do carnaval cresce a cada ano – Foto: Daniel Amorim/Divulgação

Alguns debates também foram interessantes, como o encontro das diretorias de harmonia de diferentes regiões do Brasil, que contou com a participação de Florianópolis, representada pela diretora-geral de Harmonia e Evolução da Dascuia, Mayara Pereira. Também vale destacar a mesa sobre os desafios das mulheres no Carnaval e os painéis que apresentaram a realidade dos carnavais de cada região do país.

Ainda assim, acho que quatro dias é muito tempo para o formato que foi apresentado. Senti falta de mesas mais objetivas, provocativas e que realmente ajudassem a pensar soluções para os desafios do Carnaval. Houve pouco espaço para discutir quesitos, julgamentos, problemas enfrentados pelas escolas e possíveis caminhos para resolvê-los.

Em muitos momentos, os participantes falavam mais sobre suas trajetórias pessoais do que sobre o tema da mesa. Uma apresentação prévia feita pelo mediador já resolveria boa parte disso e permitiria que o debate rendesse mais.

O Conasamba é importante e necessário. Eventos como esse fortalecem o Carnaval e aproximam pessoas de diferentes realidades, mas acredito que ainda existe espaço para ajustes. Seria interessante aprofundar as discussões sobre os quesitos, os desafios de cada praça e, principalmente, promover uma troca mais prática de experiências, buscando soluções para problemas que muitas vezes são comuns a várias regiões do país. Se depender de mim, ano que vem estou lá novamente.

DE ORELHA À ORELHA

Um dos destaques do Conasamba, para mim, foi a atuação de Igor Sorriso no show da Mocidade Alegre, atual campeã do Carnaval de São Paulo. Confesso que o carnaval paulistano não costuma me chamar tanto a atenção e, por isso, a imagem que eu tinha do Igor era muito mais ligada à sua trajetória no Rio de Janeiro.

Sempre gostei do trabalho dele na Vila Isabel e na São Clemente, mas tenho algumas ressalvas sobre sua passagem pelo Salgueiro. Tecnicamente, nunca houve o que contestar, mas, na minha opinião, o timbre dele não encaixa tão bem na identidade musical da escola.

Talvez por isso a apresentação na Mocidade Alegre tenha me surpreendido tanto. Igor cantou diversos sambas da escola com segurança, afinação impecável e sem perder intensidade em nenhum momento. Foi uma atuação muito consistente do início ao fim. E é preciso destacar também o grupo musical que o acompanhava, que correspondeu ao mesmo nível da apresentação.

Depois do show, tive a oportunidade de entrevistá-lo e a boa impressão só aumentou. Além do talento que demonstra no palco, Igor é extremamente simpático e acessível. Daquelas pessoas que conversam com naturalidade, sem criar qualquer distância. Faz jus ao sobrenome que carrega.

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