Há cultura, mas falta solidez

Novas agremiações carnavalescas estão esboçando surgimento em Florianópolis, o que é legítimo. Porém, abre-se um debate para saber se há espaço ou não, em vista do atual cenário do carnaval que é composto por 10 escolas de samba, oito delas situadas em Florianópolis e com grupo único.

Mas precisamos considerar a história e contextualizar. Há 10 anos, o carnaval chegou a ter 3 grupos: Especial, Acesso e Acesso A. Foram 17 escolas de samba naquela ocasião de 2016: 6 na elite, 4 na segundona e 7 na terceirona. Foi uma medida da Liga à época pensando em crescimento e organização, sobretudo, transformando o grupo de blocos em escola de samba. Entretanto, não deu certo. Em face de uma nova crise financeira do carnaval, o desfile de 2017 foi diminuído e restrito a apenas ao grupo principal com 6 agremiações.

Florianópolis vê o surgimento de novas escolas de samba
Florianópolis vê o surgimento de novas escolas de samba – Foto: Divulgação/Mafalda Press

Em seguida, no ano de 2018, a crise permaneceu e novamente tivemos só as 6 do Especial na avenida. Já em 2019, houve a retomada do Acesso com 4 escolas e aí o Carnaval passou a ter um cenário de 10 agremiações. Só que em 2020 os grupos foram montados com 7 na elite e 3 no acesso porque a União da Ilha da Magia, que ficou sem desfilar em 2017 e 2018, subiu como campeã e não caiu ninguém.

Veio a pandemia e o carnaval parou em 2021 e 2022, voltando com um grupo único em 2023, tendo apenas uma noite de desfile até o carnaval de 2024. De 2025 para cá, criaram-se as duas noites de desfile. Ou seja, muitas mudanças no contexto da última década, que trazem uma reflexão que o espetáculo não tem fórmula ideal e solidez.

Mas o que as eventuais novas escolas tem a ver com isso? Talvez um cuidado especial para não criar uma agremiação do nada, pois pode ser um grande risco. A inteligência artificial está aí para facilitar os processos, mas para se tornar uma escola de samba é preciso raiz, trabalho de base. É preciso cultura do samba, movimento legítimo de pessoas, profissionais, de oficinas e, sobretudo, de batuque no bairro.

Não sou contrário ao surgimento de novas escolas mas é necessário ter cautela, afinal, o poder público está preparado para receber um novo grupo de acesso? Querendo ou não, ainda se depende da Prefeitura, do Governo do Estado, da Câmara Municipal e até da Assembleia Legislativa que viabilizou os barracões recentemente.

A população cresceu, as extremidades da cidade flertam com o desfile de avenida, porém, é a hora de pensar num carnaval sólido de médio e longo prazo. Sem variações, mudanças anuais quanto a formatos. Quem sabe após uma Cidade do Samba de fato possamos ter um futuro ainda promissor. Cultura de escola de samba a gente tem, mas solidez ainda não.

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