O calendário do Carnaval de 2027 foi lançado, mas antes mesmo de se falar em fantasias ou ensaios, outro assunto já dominava as conversas: “Agora fulana tem que correr atrás”, “Será que dá tempo de emagrecer?”, “Vai ter que perder uns quilinhos”.
Para muitas mulheres, a preparação para o desfile parece começar na balança, e não na quadra. O Carnaval, que deveria celebrar expressão e pertencimento, ainda marca o início da temporada de fiscalização dos corpos femininos, como se desfilar exigisse atender às expectativas estéticas de quem assiste.

No Carnaval, o corpo da mulher parece nunca estar “certo”. É magra demais, gorda demais, musculosa demais, flácida demais. Sempre há uma observação, uma comparação ou um conselho não solicitado. Como se desfilar significasse abrir mão do direito de existir sem avaliações públicas.
Talvez a reflexão que o próximo Carnaval nos convida a fazer não seja sobre quem conseguiu emagrecer até fevereiro, mas sobre por que ainda acreditamos que o corpo de uma mulher está disponível para o julgamento coletivo.
Corpos não existem para atender expectativas. Eles existem para viver, para sambar, para sustentar horas de ensaio, para carregar pavilhões, instrumentos e sonhos. E, em uma festa que celebra a pluralidade, talvez a maior beleza esteja justamente na liberdade de cada mulher ocupar a avenida exatamente como ela é.








