Reflexão sobre a preservação da memória carnavalesca

Hoje a coluna é em tom especial, afinal, apresentei meu TCC recentemente e consegui a nota máxima. Para além do carnaval, estou na reta final do curso de Arquivologia pela UFSC, que busca a gestão e preservação de documentos antigos e contemporâneos. Aliás, não é somente o papel… é CD, DVD, fotografias e por aí vai.

A arquivologia e o carnaval, de certa forma, podem caminhar juntos. E a coluna é uma breve reflexão sobre isso.

Museu Thiago de Castro, em Lages

O carnaval de Florianópolis possui um certo grau de descobrimento de sua história, descortinados através da preservação dos materiais, trabalhos acadêmicos e demais outras pesquisas, como o livro de Alzemi Machado. Aliás, a coluna do Alzemi é uma preciosa joia do Grupo Samba Enredo. Para outros carnavais de SC, a difusão do material poderia ocorrer com “musculatura”, visto o momento positivo que os carnavais do estado catarinense vive. É um reencontro com sua própria história.

Ao primeiro momento, destaco o carnaval de Lages. Estive recentemente por lá para a Festa do Pinhão e então aproveitei para passar pelo Museu Thiago de Castro. Lá vi uma fotografia de 1927 do carnaval lageano. Mas esse tipo de item não se encontra facilmente pela internet, ficando “preso” no acervo físico da instituição. Isso é somente um exemplo, mas certamente a instituição tem muitos mais registros que ficam escondidos.

Se for adentrar nas escolas de samba, não somente de Lages, provavelmente pouca coisa ficou com o passar dos anos. Essas memórias físicas acabam ficando como item pessoal dos amantes das agremiações, mas que poderiam ser anexados ao acervo das escolas de samba se acaso houvesse um projeto para tal, junto daquelas memórias que ficam na cabeça, como sambas antigos que não foram gravados e histórias maravilhosas.

Agora imagina quantos mais registros interessantes dos carnavais de Laguna, Joaçaba, São Francisco do Sul, Joinville e outros lugares estão escondidos por aí? Preservar os conjuntos documentais também é preservar a história da agremiação e do carnaval no geral, também engrandecendo a história cultural do estado. Eu parabenizo àqueles que divulgam abertamente seus itens pessoais, afinal, memórias coletivas não deveriam ser usadas como troféus, e sim difundidas. É preciso preservar o que temos enquanto há tempo.

Por aqui em Floripa, já vem de tempos essa preocupação com o resguardo da memória pela parte popular e mais recentemente surgiu o @memofloripa no Instagram. Para Laguna, o “Cultura Lagunense” no Youtube, assim como também o canal do Fábio Giacometti referente ao carnaval de Joaçaba. Minhas recomendações.

E o arquivista aqui ainda sonha que as escolas de samba abram seus acervos, tal qual a Estação Primeira de Mangueira fez. Um dia, quem sabe.

Em breve retorno para falar mais do carnaval catarinense.
Um abraço!

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