Raphael Soares quer repetir feito e buscar o tri na Consulado

No aniversário de 50 anos da Consulado, o Grupo Samba-Enredo conversou com o carnavalesco Raphael Soares. Autor do enredo junto de Rafael Bernardo, o atual bicampeão do carnaval de Florianópolis falou sobre o desafio e um pouco da história de Abubakari, personagem principal que será levado para a Nego Quirido em 2027.

Carnavalesco Raphael Soares no ensaio técnico da Consulado no carnaval 2026
Carnavalesco Raphael Soares fala sobre a expectativa para o carnaval 2027 – Foto: Andrey Santiago

“Eu sempre falo desde 2025, a profecia lá de 2005, a gente está seguindo e em 2007 a gente conseguiu tri, então, 20 anos do tricampeonato. E a gente vem buscar esse tricampeonato com enredo diferenciado, que a gente conta a história de um Brasil antes do descobrimento. A gente chega no Brasil antes até de Cristóvão Colombo chegar às Américas para mostrar que a plenitude africana vem muito além do que todo mundo pensa e que normalmente é apagado da história.

Então, essa importância da atribuição africana nas navegações, nas ciências e na pesquisa, é o foco do nosso enredo, que vai começar lá no Império Mali, fazendo essa viagem pelo oceano, transformando no Atlântico negro para essa travessia de Abubakari até chegar na costa do Nordeste do Brasil”, disse.

Raphael Soares comentou também sobre um modelo de trabalho adotado pela Consulado que é o reaproveitamento de materiais, até por razões econômicas. Nesse sentido, o carnavalesco deixa a entender qual será a estética para o desfile de 2027.

“Eu gosto muito de reciclar coisas e agora com essa projeção de termos um lugar para guardar, ter esse teto para guardar o nosso material, a gente tem a possibilidade de aproveitar ainda mais. Já estou pensando em transformações de esculturas para reaproveitar e transformar muita coisa para o novo momento.

Tem muita coisa que sobrou, que nem foi usada até para esse último carnaval, que está estocado porque eu vou com certeza usar. Se a gente pode economizar, a gente gasta em outras coisas”.

Muito se falou, especialmente após o carnaval de 2025, sobre uma possível saída do carnavalesco da escola. Porém, Raphael contou o que pesou para permanecer na Consulado e fazer história.

“Não dá para prever o encerramento de ciclo, porque uma coisa vai levando a outra. Quando eu pensei em encerrar esse ciclo aqui no Consulado, veio uma comunidade toda pedindo para ficar, para fazer o cinquentenário, eu não tinha como dizer não. Foi o pedido das pessoas que fez eu ficar e essa entrega das pessoas que tá fazendo eu continuar.

É muito linda essa evolução que a escola vem, o título ajuda muito isso. As pessoas passam a acreditar mais em si próprias, nos seus segmentos, nas suas capacidades e elas se entregam com mais vontade. Então a gente tá vivendo esse momento. Claro, eu sempre falo: ‘Ah, é busca do tri’, mas com toda humildade, porque todas as escolas começam um trabalho com o mesmo ponto de partida, ninguém tem mais do que a outra. E a gente vai humildemente buscar esse esse tricampeonato fazendo o que a gente sabe fazer, que é um carnaval bonito para o público”, finalizou Raphael Soares.

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